quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

O Desvio da Swift-Armour em Utinga

O distrito de Utinga, em Santo André, se caracterizou pelas industrias que ajudaram a impulsionar a economia do ABC Paulista nos anos 50.
A chamada “Vila Metalúrgica” abrigava as principais fábricas da região, que teve o seu auge nos anos 70.
Conhecido até hoje por antigos moradores da região, o “Matadouro Martinelli”, que mais tarde daria origem ao Frigorífico Armour, foi à empresa que mais empregou pessoas no bairro, não só na vila Metalúrgica, como nos bairros vizinhos do Camilópolis e Santa Terezinha. Junto com o Frigorífico, outra grande empresa de destaque foi a LNM – Laminação Nacional de Metais, cujo terreno abrigava também (até o final dos anos 50) a “CAP” – Companhia Aeronáutica Paulista.

O Frigorífico, após se tormar mais uma filial da gigante Armour, mais tarde foi adquirido pela Swift, tornando-se “Swift-Armour”, e depois apenas Swift. Foi Fechado nos anos 90.

Seu desvio ferroviário era imenso. Pouca coisa maior que o “Desvio Aranha” no bairro do Ipiranga (que atendia várias industrias) algo em torno de 2 km. O Desvio saía do pátio ao lado da estação Utinga, atravessava a Avenida do Estado (duas pistas) e o rio Tamanduateí (com um simpático pontilhão de aço, rebitado, dos anos 40), atravessa a rua Londres, a rua Bárbara Heliodora e a Avenida da Paz, e adentrava o frigorífico, onde possuía várias linhas.

Hoje o complexo onde era o Frigorífico é um condomínio. O desvio seguia além da Swift e atendia mais uma fábrica atrás dele.

Trilhos remanescentes do desvio ainda cruzam a Rua Londres...
(foto: Marco Aurelio Marsitch)

Hoje, pouco resta deste enorme desvio particular que servia a E. F. Santos a Jundiaí - apenas alguns trilhos (ainda visíveis em algumas ruas), e alguns prédios do frigorífico/matadouro. O leito da linha de entrada próximo da estação, e na área do frigorífico (já do outro lado da Avenida do Estado), foi tomado por favelas. Registros não oficiais dão conta de que o desvio estava ativo até 1981, quando foi desativado justamente pelo aumento do trânsito de veículos na Avenida do Estado (o trem quando passava fechava as duas pistas, sentido São Paulo e sentido Mauá).



Legenda:

1 – Estação de Utinga
2 – Laminação Nacional de Metais, antiga fábrica da CAP – Companhia Aeronáutica Paulista, de propriedade do empresário e “playboy” brasileiro Francisco “baby” Pignatary. Essa fábrica (criada em 1942), produziu o famoso “Paulistinha”, monomotor de dois lugares, muito conhecido na aviação brasileira.
3 – Leito do desvio ferroviário da CAP, já sem trilhos desde os anos 60. Hoje, tomado por favelas.
4 – Linha tripla da EFSJ, sentido São Caetano do Sul.
5 –Pátio de Utinga e saída do desvio ferroviário da Swift-Armour.
6 – Armazéns Trianon (AGEF).
7 – Antiga Gerdau (desativada).
8 – Passarela sobre a Avenida do Estado e Rio Tamanduateí, sobre o leito do desvio da Swift-Armour. Abaixo da passarela existia a ponte ferroviária sobre o rio (demolida em 1998). A linha atravessava em nível a Av. do Estado, nas duas pistas (dos dois sentidos).
9 – Leito do desvio da Swift-Armour sobre a rua Bárbara Heliodora.
10 – Leito do desvio da Swift-Armour sobre a rua Londres.
11 – Leito do desvio da Swift-Armour sobre a Avenida da Paz.
12 – Leito da entrada da linha no frigorífico (hoje, uma favela).
13 – Um dos prédios que sobraram do antigo Frigorífico da Swift-Armour.




4 comentários:

Eduardo disse...

Opa Thomas
Muito interessante esse tema, lembro que desde criança via aquela ponte metálica que havia na avenida dos estados e ficava imaginando, mas o trem passa no meio dessa favela? Hoje no lugar dela há uma passarela e o local por onde passava o desvio é a entrada principal da favela.
Meu avô trabalhou na Swift por uns meses, saiu de lá e foi para a CBC, onde se aposentou(a cbc que é onde fica a Uniabc).
Agora estou lembrando do meu primeiro contato com as ferrovias, quando era criança gostava de ir na região do Capuava para ver os desvios, desvios estes que eu chamava de "estradinha". Ai fui crescendo e descobrindo que meus antepassados eram ferroviários e etc.

Marcos S. P. Euzebio disse...

Caro Thomas,
muito bom teu blog.
Eu o encontrei enquanto buscava material para um pedido de tombamento de um imóvel em Santo André, cidade na qual também resido (e próximo da Estação de Utinga). Pelo que sei, os trilhos que aparecem na foto já foram cobertos de asfalto... Talvez devêssemos ter pedido seu tombamento, também...
Novamente, parabéns!

Milkian disse...

tenho 26 anos e me lembro um pouco dos trilhos que entravam em um beco na av. da paz e na citada favela na av. do estado. Lembro ter visto em mapas dos anos 80 o caminho dela para a antiga swift, já fechada, assim como já havia parado o movimento de trens.
parabéns pelo excelente trabalho!

Dilson Nunes disse...

Prezado Thomas:
Eu discordo de parte dessa história.
Durante a 2ª Guerra Mundial, houve uma "aproximação" dos americanos e ingleses, de onde surgiram filiais dos frigoríficos Anglo, Wilson, Armour e Swift. Havia necessidade de exportação de carnes e derivados para o es exércitos aliados. Alguns desses frigoríficos foram construídos, outros como o de Utinga que era denominado "Di Giulio Martinelli". Ele foi "comprado" pela Swift americana e se tornou uma das tantas filiais da Cia Swift do Brasil, cuja matriz ficava em São Paulo, na Rua Formosa. A Swift nunca foi Armour. Armour era concorrente e ficava na Fazenda Anastácio, próximo à Lapa e tinha outra unidade em Santana do Livramento, RS. Ocorre que em virtude do final da guerra, passados alguns anos, a Swift comprou a Armour de Livramento e Anstácio, preservando a marca. Pouco depois a Swift vendeu o patrimônio Armour (incluindo marcas e fórmulas) para o (até então) emergente Frigorífico Bordon. Mais tarde o Bordon assumiu a Swift de Utinga, mudando a denominação para Swift Armour. Passados alguns meses o frigorífico de Utinga foi vendido para a Perdigão. Hoje a marca Swift pertence à FRIBOI, que adquiriu as ações da Swift & Co, mundial e está sediada no antigo Armour/Bordon de Anastácio. No local onde existia a Swift de Utinga, junto com a Quimbrasil, foi transformado em um condomínio fechado. Conheço bem a história, porque toda a minha família começou trabalhando na saudosa Swift de Utinga, além de morar em Utinga por 40 anos. Além disso também trabalhei no Bordon (ex-Armour) Anastácio.